O que ficou comigo após a leitura de "Bom dia, inverno" de Tamara Klink

O Livro da Vez: Bom dia, inverno, de Tamara Klink 

capa do livro "Bom dia, inverno" de Tamara Klink

Esse foi um livro que me trouxe uma leitura além da aventura no ártico da Tamara, além de uma mulher sozinha escrevendo sua história. Foi uma leitura sobre aprender a habitar a própria vida. 

Essa conclusão veio já a partir de uma das frases que destaquei do texto dela: 

"Às vezes a maior aventura não é atravessar um oceano. É aprender a morar em si mesma."

Acho que me identifiquei tanto com essa ideia por conta da vida que levo com minha família, sempre nos mudando de país, sempre começando de novo em um lugar totalmente desconhecido. Assim como foi minha mudança para de São Paulo para Brasília quando minha filha estava 4 meses de idade. Assim foi quando nos mudamos de Brasília para Berlim, na Alemanha. Dessa vez com filhos de 4 e 6 anos. 

Muito mais do que conhecer o local, se integrar na nova população, nos novos costumes, é preciso aprender a morar em si mesmo para poder se adaptar da melhor maneira possível e conseguir aproveitar e/ou descartar o que o novo nos traz (já que nem tudo é bom e nem tudo é ruim. É preciso entender a diferença). 


Trechos do livro que ficaram comigo

"Eu moro no caminho."

Ainda no pensamento sobre as minhas mudanças recorrentes de país, sigo focada não apenas no destino, mas no caminho. Fazer uma mudança, ainda mais com crianças, nos faz prestar atenção ao momento presente e nos mostra de maneira muito forte que o tempo é palpável. 

Saber que essa fase da vida tem data de validade nos faz aproveitar muito o caminho, não apenas a chegada. 

 

"Preciso intimidar meus medos para não virar refém do que conheço."

Essa frase me fez pensar em como devemos sempre etsar explorando novas oportunidades, locais, pessoas, comidas, enfim, sair da zona de conforto é o que nos faz aprender e evoluir. 

Não que ficar na zona de conforto seja ruim, por um período (é claro), principalmente na fase da vida que temos filhos pequenos. Tudo é tão cansativo e demandante que, faz bem ficar um tempo no conhecido, naquela previsibilidade diária que deixa nosso cérebro descansar. Mas que isso não seja a nossa constância da vida. 

 

"Presa na ideia fixa, deixei de enxergar o que via."

Quantas vezes deixamos de perceber a realidade, ou oportunidades porque estamos presos àquilo que esperávamos encontrar? Ou àquilo que idealizamos. Muitas vezes ficamos dando “murro em ponta de faca” por falta de conseguir enxergar que existe uma outra forma de seguir diferente daquela que foi planejada/idealizada. 

 

"Solidão escolhida é amor-próprio."

Essa é para as mães! 

Esse trecho inteiro é lindo. Sabe quando você está sobrecarregada de demandas da casa, dos filhos, do trabalho E das redes sociais que, inconscientemente, nos mandam informações sobre o quanto “atrasadas” estamos na vida?! Então... 

Quando os filhos vão à escola, ou quando eles dormem e você tem aquele tempo sozinha. Escolha pelo menos 1 dia na semana, ficar mesmo sozinha! Sem ver a vida dos outros no celular. 

Faça algo só com você. É incrível! 

 

"É incrível quanto tempo sobra quando a gente só precisa agradar a si mesma."

Mais uma frase sobre estar sozinha e focar em si mesma. As redes sociais tem nos roubado tanto esse tempo de nós. E o pior, na maioria do tempo a gente nem percebe! 

 

"O mundo todo é plateia de um homem e fiscal de uma mulher."

Acho que essa frase é auto explicativa.

 

"As férias e as viagens são mágicas porque finitas."

Mais uma vez me trazendo a tona o que sinto com as minhas mudanças: temos prazo de validade, tudo acaba, o tempo palpável. 

Se você tem filhos mais crescidinhos, acredito que já tenha sentido isso também. Tudo passa, tudo acaba. Sempre temos um prazo de validade invisível da fase que estamos vivendo. Isso é bom e isso é ruim ao mesmo tempo. Depende da situação e de como você vive/encara essa situação. 

 

Minha última frase de destaque, e acho que a que mais me marcou: 

"Acabou a saudade do futuro.”

Ela resumiu muito um sentimento, uma sensação que eu vivo toda vez antes da mudança. 

Quando sabemos que a mudança de país está proxima, eu começo a pensar sobre o próximo destino, imagino o que terá por lá, quais programas eu vou fazer, como será o dia a dia na nova morada. 

Quando, finalmente, chega a hora de mudar e eu chego ao novo local, é como se tivesse acabado essa “saudade” de algo que estava no futuro. Chegou a hora de viver o presente. 

Uma ideia ambígua com o que sinto constantemente sobre aproveitar o momento presente. 

Mas acho que a vida é isso, estar nesse vai e volta da consciência e incosciência, sonho e realidade, presente, passado e futuro. 


⭐ Minha impressão

"Em qualquer lugar, o dia a dia é ordinário." Isso acontece comigo morando no em São Paulo, morando em Brasília ou onde estou agora, Berlim. Mas me faz pensar que também encontro tantos extraordinários no meio do ordinário. Tudo se mistura. 

Talvez a beleza esteja justamente nisso.

 

💬 Vou deixar algumas perguntas para conversarmos, se você quiser! 

1. Se você já leu o livro, qual foi a frase que mais ficou com você? Se não leu mas gostou das frases que eu separei, qual mais te tocou? Por quê? 

2. Você consegue desfrutar do que já tem ou vive procurando o que falta (mesmo que tenha feito isso sem nem perceber)? 

3. O que significa, para você, "morar no caminho"? 

4. Você consegue ficar sozinha sem se sentir solitária? 

5. Depois desse livro, você sentiu vontade de mudar alguma coisa na sua rotina? 

Escreva nos comentários e a gente se fala. Combinado?! 

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Um bj, 
Maici. 

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