Somos Devagares

Sobre viver com mais presença e menos comparação. Não estamos atrasadas!

Há 1 ano eu criei essa forma de conversar com minha comunidade no Instagram, dizendo que somos mães devagares.

Isso é viver de maneira mais devagar, menos performática, menos alienada pelas redes sociais, sem o estresse da comparação com uma vida irreal que vemos em muitas “desenfluencers”.

Sabe aqueles cafés da manhã aesthetic, salas e quartos organizados, atividades lúdicas incrivelmente criativas e comandadas pela mãe, crianças sempre arrumadinhas e, claro, com uma rotina impecável, um copo gigante de água super brega estiloso e o cabelo na régua?! Pois é, na maioria das vezes tudo isso é montado. Questão de ângulo.

Na minha vida, nada disso existe e, conversando com minhas amigas e seguidoras, nas vidas delas também não. Por isso eu precisava colocar para fora a minha forma de viver, criando conteúdo real, que conversasse com a sua vida de verdade, com a forma que funciona para mim e que pode realmente te influenciar de maneira positiva a viver mais presente, mais autêntica e com menos autocobrança.

Somos, na maioria, mães sem rede de apoio, dando conta das crianças, da comida, da lancheira, da escola, das nossas casas, e tentando manter a sanidade mental e o autocuidado.

Viver devagar não é um privilégio de quem não precisa correr. É fazer o que realmente precisa ser feito. Afinal, a gente não tem que dar conta de tudo todo dia.
Precisamos saber priorizar o que realmente é prioridade.

E, sim, na vida real, eu estou quase sempre correndo. Por mais hipócrita que possa soar. Não conheço uma maternidade sem rede de apoio onde a gente esteja de boa e tranquila sem ser férias na casa dos avós. Mas mesmo na correria, a gente sabe exatamente o que está fazendo e o porquê.

Ser devagar não é sobre a velocidade que a gente faz a correria do dia a dia. É sobre a maneira como escolhemos viver a correria do dia a dia. É a tomada de consciência de que nem tudo precisa ser otimizado. É não transformar a vida dos nossos filhos em planilhas.

Será mesmo que a gente precisa sempre fazer mais? Tudo é fase.
Já tive a fase de estar maluca com milhares de plantões e estudos, começando e finalizando uma pós-graduação atrás da outra. Essa fase passou. Pode ser que ela chegue de novo em um futuro próximo, onde eu realmente queira ser mais, fazer mais.
MAS… nesse momento, vivendo em outro país, sem família e amigos por perto, sem dominar o idioma local, e com meus filhos passando pela infância (que é algo único e que marca nossa vida para sempre) eu decidi que era hora de estar aqui. Que essa é a real prioridade, que agora eu não preciso ser ou fazer mais nada além do muito que já faço. Isso aqui já é correria pra caramba. E aposto que para você também é!

A vida com filho pequeno preenche muito! Se puder, foque no agora. Foque em priorizar essa correria.

Eu sei que tudo o que vemos nas redes sociais nos traz a sensação de que estamos atrasadas. Estão nos pedindo pressa, mas a infância dos nossos filhos e a vida aqui dentro de casa só está pedindo presença.

Sério, eu não tenho uma linha de chegada para competir com ninguém que aparece no meu feed. E você também não.
Não estamos atrasadas.

Outro dia prestei atenção no que apareceu na minha última rolagem de tela. E parecia que tudo o que eu estava fazendo estava errado ou precisa ser otimizado. Pasmem, eram coisas totalmente pessoais, como: escovar o cabelo, a forma como eu misturo os ingredientes de um bolo e se eu fico de frente ou de costas para o chuveiro na hora do banho. Nessa hora eu fechei tudo e falei “querem até mudar se eu encaro o chuveiro ou se dou as costas para ele?” hahaha achei bizarro.

Hoje em dia temos acesso a muita informação. Muita coisa boa e muita coisa ruim.
Saber como viver melhor, comer melhor, educar e criar melhor os filhos é maravilhoso, mas não podemos deixar essa otimização tomar conta de toda a nossa vida o tempo todo.
Como eu sempre digo: o básico funciona e sempre vai funcionar. Otimizar é importante, mas não o tempo todo.

Tomo emprestada de Winnicott a ideia de que quero ser agora, na infância dos meus filhos, uma mãe suficientemente boa para ser uma mãe desnecessária no futuro. Não quero que meus filhos precisem de mim quando crescerem. Eu quero que eles queiram minha presença. Que nossas memórias sejam boas o bastante para querermos a companhia uns dos outros e que o que eu ofereço hoje seja capaz de torná-los adultos funcionais.

Escolha presença quando for possível e escolha otimização quando for necessário.
Só escolha sabendo o que você está escolhendo, saindo do automático, da autocobrança e das comparações irreais das redes sociais.

Somos devagares.

Um beijo,
Maici.


Comentários